Com bala na agulha, sem papas na língua

Evento histórico
Reprodução
Milton Parron
Escrito por Milton Parron

A irreverencia e a crítica mordaz que fazia aos políticos, principalmente, em seu programa O TRABUCO pela rádio Bandeirantes, causaram muitos problemas ao jornalista Vicente Leporace, e, ao dono da emissora, empresário João Saad. Uma dessas muitas dores de cabeça foi por ocasião do desfile de 7 de Setembro de 1972, ano do Sesquicentenário da Independência. Bom lembrar que o Brasil era presidido pelo general Emílio Garrastazú Médice que tinha aversão a jornalistas. Ao comentar a parada militar daquele dia, Leporace fechou suas observações dizendo que o desfile, “quando menos, era muito importante para desenferrujar as canelas da soldadesca, afinal, a última guerra para defender nossas fronteiras tinha ocorrido contra o Paraguai há mais de 100 anos. Não tendo outra para se ocupar, a alta oficialidade está se dedicando mais a questões político administrativas e, por conseguinte, os nossos soldados aos desfiles para não perder o ufanismo”. A crítica não era aos desfiles, nem aos militares, pelo contrário, Leporace era o civismo em pessoa. A indireta era para o sistema de governo vigente no País, onde as eleições estavam suspensas desde 1964. Mesmo tão polêmico e criador de problemas “com os homens”, Leporace sempre permaneceu muitos anos nos seus empregos:

Essa entrevista de Vicente Leporace foi ao produtor Gualberto Curado, em 1977. Na Bandeirantes Leporace permaneceu de 1962 até abril de 1978 quando veio a falecer. Seu programa O TRABUCO foi substituído pelo jornal da “Bandeirantes, Gente” sob o comando de José Paulo de Andrade e Salomão Esper. O “Gente” até hoje está no ar.

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