O fim de uma era

No dia 21 de dezembro de 1983, o deputado federal Ulysses Guimarães visitou a sede da ONU onde foi recebido pelo secretário geral, Xavier Perez de Cuellar. No Brasil, naquela ocasião, o assunto discutido com grande paixão era o restabelecimento imediato do sistema de eleições diretas para presidente da República. O próximo pleito estava marcado para 1985 e tamanho era o otimismo pela volta das diretas que alguns nomes de candidatos já estavam sendo especulados, entre eles, os de Paulo Maluf e Mário Andreazza pelo PDS partido do governo, Tancredo Neves pelo PP e o próprio Ulysses Guimarães, pelo PMDB. Pelos microfones da Bandeirantes, lá na sede da ONU, nos EUA, o deputado Ulysses confirmou sua candidatura:

Ocorre que não teve eleição direta coisa alguma e, pelo processo indireto, quem acabou eleito foi Tancredo Neves que concorreu pela aliança PP/PMDB. O derrotado foi Paulo Maluf, do PDS, candidato do governo. Porém quem tomou posse foi aquele que nem mesmo concorreu ao cargo e que, por sinal, já tinha sido presidente do partido derrotado nessa eleição, o PDS. Trata-se de José Sarney que havia deixado o PDS, que presidira até pouco tempo antes, ingressando na oposição para concorrer como vice de Tancredo. Na véspera da posse do eleito Tancredo Neves, este adoeceu e veio a falecer alguns dias depois assumindo, então, José Sarney. Como se não bastasse esse sistema político mal ajambrado que temos no Brasil, teve também um dedo do destino para tornar as coisas mais confusas e para fechar quadro tão dramático, o presidente João Baptista Figueiredo se recusou a passar protocolarmente o cargo e a faixa presidencial a José Sarney, avacalhando de vez com aquela que foi a última eleição indireta para a presidência da República em nosso País.

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