CONVERSA DEMAIS, VOTOS DE MENOS

Evento histórico
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Milton Parron
Escrito por Milton Parron

A duas semanas das eleições presidenciais, de 1945, o brigadeiro Eduardo Gomes, da UDN, favorito disparado daquela disputa, faz um discurso no dia 19 de novembro, no teatro municipal do Rio de Janeiro. Em meio ao pronunciamento, referindo-se aos eleitores de seu adversário Eurico Gaspar Dutra, que era apoiado por Getúlio Vargas, comete a asneira de dizer que “dispensava os votos da malta de desocupados que anda por ai”. Habilmente, um político esperto da época, Hugo Borghi, que era dono de uma rede imensa de emissoras de rádio, traduziu a expressão MALTA para MARMITEIRO. Em 15 dias, o brigadeiro Eduardo Gomes perdeu o apoio de toda a massa de trabalhadores do Brasil que comiam em marmitas. Hugo Borghi, no programa Balanço Geral, aqui na Bandeirantes, em 1999, explicou como ele, sozinho, derrubou toda a estrutura montada em torno do candidato Eduardo Gomes:

Para dar mais consistência a campanha em favor de Dutra, era preciso fortalecer a imagem de que o Brigadeiro Eduardo Gomes não gostava de marmiteiros, ou seja, era um elitista que detestava os pobres. Surgiu, então, novamente da cabeça de Hugo Borghi, a ideia de se gravar uma marcha em compasso de carnaval, tão ao gosto dos brasileiros. Ele foi atrás do cantor Murilo Caldas, irmão do famoso seresteiro Silvio Caldas:

Em política aplica-se como uma luva um velho adágio: QUEM FALA DEMAIS DÁ BOM DIA A CAVALO. A lição vale tanto para quem disputa eleição como, também, para seus assessores.

1 Comentário

  • Quando teremos uma eleição sem distorção da realidade? Por está razão, muita vezes, a população deixa de exercer a sua real vontade. Assim, pessoas ficam sem opção de votos, por distorções do direito de cada um escolher o que se apresenta melhor para ele, e não para a opinião de poucos com poder de atingir a grande massa da população. Hoje nos temos um presidente eleito, legalmente, é claro, com somente 57 milhões de votos, em segundo turno, em um país como o nosso com aproximadamente 160 milhões de eleitores. Porque, temos que retirar o direito das pessoas opinarem com a verdade que sai da sua alma e não com as distorções ?

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